A abertura de um Procedimento Administrativo pelo Ministério Público de Alagoas acendeu uma luz vermelha sobre a Educação em Estrela de Alagoas. Em um momento em que o prefeito Roberto Vanderley tenta manter estabilidade, o desgaste provocado pela crise respinga nas pretensões de Hugo Vanderley, que se movimenta para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026.
O promotor Luiz Alberto de Holanda Paes Pinto decidiu aprofundar a fiscalização depois de receber denúncias envolvendo a rotina escolar do município. Os relatos apontam motoristas sem habilitação adequada no transporte de estudantes, ambiente escolar em condições precárias e falta de merenda em unidades de ensino. As primeiras respostas da Secretaria de Educação, com listas de condutores, cardápios e calendário letivo, não foram suficientes para afastar as suspeitas. Para o MP, só uma fiscalização contínua poderá confirmar se o que está no papel chega de fato à sala de aula.
A investigação tem origem em uma denúncia anônima transformada em Notícia de Fato, que já indicava falhas na execução de serviços básicos. Agora, com a instauração formal do procedimento, o Ministério Público pretende monitorar pontos considerados essenciais: documentação e cursos obrigatórios dos motoristas responsáveis pelo transporte escolar, cumprimento integral do calendário de aulas, regularidade e qualidade da merenda segundo as normas do PNAE e condições de trabalho dos professores, que já sinalizaram risco de paralisação.
A portaria determina que tanto a Secretaria Municipal de Educação quanto o Gabinete do Prefeito sejam comunicados oficialmente, reforçando o peso institucional da investigação.
O problema atinge a gestão num momento político delicado. Educação é vitrine para qualquer administração. Quando falha, afeta alunos, pais e professores ao mesmo tempo. A crise abre espaço para questionamentos sobre capacidade de gestão, e esse desgaste tem potencial de se transformar em obstáculo eleitoral. Para Hugo Vanderley, que tenta se projetar como nome do grupo familiar na cena estadual, o episódio chega no pior momento. A depender do andamento da apuração, a pauta pode se firmar como ponto de fragilidade no projeto político do clã.