A Câmara vive mais um capítulo tenso envolvendo quebra de decoro. Com a suspensão de Glauber Braga por seis meses, após a agressão a um manifestante do MBL dentro do Congresso, a federação PSOL-Rede convocou sua primeira suplente. Heloísa Helena, um dos nomes mais tradicionais da política brasileira, retoma o mandato parlamentar, ainda que de forma temporária, em meio a um ambiente já carregado por disputas internas e pressões externas.
A própria Heloísa fez questão de declarar solidariedade a Glauber antes mesmo da votação que selou o afastamento. Em vídeo, chamou o deputado de “valoroso, guerreiro e defensor da classe trabalhadora”, defendendo sua permanência no cargo. O gesto reforça a leitura de que, mesmo assumindo a vaga, ela não chega para romper com a linha política de Braga, mas para manter o espaço da federação durante o período de suspensão.
Embora suplente pelo Rio de Janeiro, Heloísa Helena tem raízes políticas firmes em Alagoas. Foi deputada estadual, vice-prefeita de Maceió e senadora, além de ter protagonizado momentos decisivos na esquerda brasileira. Em 2006, concorreu à Presidência pelo PSOL e ficou em terceiro lugar no primeiro turno. Sua ruptura com o PT no início do governo Lula marcou uma das crises mais simbólicas do campo progressista naquele período.
A volta de Heloísa ao Parlamento ocorre num contexto em que sua presença pode gerar impacto político imediato. Ela mantém enorme visibilidade nacional, costuma falar com firmeza sobre temas sensíveis e carrega um histórico de embates com diferentes setores. Para a federação, é uma forma de preservar uma voz alinhada ao campo progressista enquanto Glauber cumpre a suspensão. Para o governo e para a oposição, é um nome que tende a tensionar debates e marcar posição, algo que sempre fez parte de sua trajetória.
Os próximos meses devem mostrar se essa volta temporária se limitará à formalidade regimental ou se Heloísa aproveitará o período para recuperar protagonismo político dentro e fora da Câmara.