A simples circulação da hipótese de Alfredo Gaspar disputar o Senado já diz muito sobre o momento da oposição em Alagoas. O debate revela a ausência de coordenação política e um choque direto com o projeto que Arthur Lira tenta consolidar no campo oposicionista em 2026.
Hoje, Arthur Lira é tratado por parte relevante da oposição como o nome natural para enfrentar o grupo governista e, sobretudo, o senador Renan Calheiros. A estratégia defendida por Lira passa por um discurso de unidade e por uma candidatura única ao Senado, capaz de concentrar forças, recursos e alianças. Qualquer movimento fora desse roteiro fragiliza o argumento e expõe fissuras internas que o governo observa com conforto.
Nesse contexto, a menção ao nome de Alfredo Gaspar ganha peso político. Não apenas pelo histórico do deputado, mas pelo que a indefinição representa. Em conversa com o Portal BR104, a assessoria de Alfredo deixou claro que não há decisão tomada sobre o caminho de 2026, se a reeleição para a Câmara ou uma candidatura ao Senado. A declaração, em si, confirma o problema: falta alinhamento, falta direção e falta uma estratégia comum minimamente pactuada.
O contraste com o campo governista é evidente. Do lado de Renan Calheiros, a posição é objetiva e pública. O projeto está definido e o foco é a reeleição. Não há ruído interno, nem nomes alternativos sendo testados no debate público. Isso não garante vitória, mas transmite organização e segurança política, dois ativos relevantes em qualquer disputa majoritária.
É verdade que, na prática, uma candidatura de Alfredo Gaspar ao Senado ainda parece pouco provável. Arthur Lira tem deixado claro que trabalha para uma construção única e dificilamente abriria mão desse protagonismo sem um rearranjo profundo das forças oposicionistas.
Se essa candidatura vier a se concretizar, o recado será ainda mais duro. A oposição não apenas falhou em se alinhar, como passou a competir internamente pelo mesmo espaço, enfraquecendo seu discurso e facilitando a vida do grupo governista. Em política, divisão raramente é sinônimo de pluralidade estratégica. Na maioria das vezes, é apenas sinal de desorganização.
O debate sobre Alfredo Gaspar escancara o desafio central da oposição alagoana hoje: definir quem lidera, qual projeto está em jogo e, sobretudo, se há disposição real para jogar em bloco ou se cada ator seguirá testando o próprio capital político, mesmo que isso custe a própria oposição.