As pesquisas que circulam sobre a disputa pelo Senado em Alagoas no próximo ano causam estranheza entre políticos e analistas. Os números que colocam Arthur Lira atrás de nomes pouco conhecidos fora de seus redutos não batem com o cenário real de influência, articulação e presença eleitoral que ele mantém no estado. Há uma distância evidente entre o que os levantamentos mostram e o que se observa na prática.
Um dos pontos que expõe essa contradição é o peso político que Lira exerce nas prefeituras. Depois de Renan Calheiros, ele é o nome com mais apoios declarados de gestores municipais. Sua influência atravessa fronteiras partidárias: mesmo em cidades comandadas por prefeitos ligados ao MDB, o deputado preserva espaço. Isso não acontece por acaso, mas por uma rede construída ao longo de mandatos, entregas e presença constante na vida política local.
Outro elemento que ajuda a explicar essa força é seu próprio histórico eleitoral. Na última eleição, Lira foi o deputado federal mais votado do estado, algo que não ocorre apenas por impulso nacional, mas por capilaridade em regiões diversas. Ele também lidera a federação União Progressista com a maior parte dos deputados alagoanos no Congresso, o que reforça ainda mais sua estrutura política e a musculatura necessária para disputar uma vaga no Senado com competitividade real.
Diante desse contexto, dados que apontam, por exemplo, Davi Davino ou Marina Candia, figura pouco conhecida fora de Maceió, à frente de Arthur Lira em municípios onde ela sequer é mencionada, soam desconectados da realidade política alagoana.
Se a campanha de 2026 mantiver a lógica histórica da família Lira, não será surpresa se Arthur Lira repetir o feito de seu pai, o saudoso Benedito de Lira, e surgir como o candidato mais votado ao Senado.