O Ministério Público do Estado de Alagoas instaurou Inquérito Civil para apurar possíveis irregularidades na folha de pagamento da Câmara Municipal de Traipu, referentes ao período de janeiro a outubro de 2025.
A investigação teve origem em uma Notícia de Fato que apontou divergências nos valores pagos a servidores. A Promotoria solicitou documentos ao Legislativo municipal, mas considerou as informações enviadas insuficientes para esclarecer completamente os indícios levantados. Diante disso, formalizou a abertura do inquérito, etapa que amplia o poder de requisição e aprofundamento da apuração.
O foco é verificar se houve pagamento acima do que a lei autoriza, se os cargos comissionados e contratos estão regulares, se as atribuições justificam as remunerações e se a estrutura administrativa está respaldada por norma válida e devidamente publicada. Também será analisado se houve criação ou aumento de cargos sem o devido impacto orçamentário.
O documento destaca que eventuais pagamentos indevidos podem configurar dano ao erário e, em tese, ato de improbidade administrativa. Entre as primeiras medidas determinadas estão nova requisição detalhada de folhas de pagamento, relação nominal de servidores, leis que disciplinam os cargos e possibilidade de solicitação de informações ao Tribunal de Contas do Estado de Alagoas.
A abertura do inquérito não representa condenação, mas eleva o nível da questão. Quando o Ministério Público formaliza investigação sobre folha e cargos comissionados, o tema deixa o campo administrativo e passa a ter peso jurídico e político.