A escolha dos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS trouxe uma consequência clara para o governo federal: a perda de controle sobre os rumos da investigação. A presidência da comissão ficou com o senador Carlos Viana (Podemos), e a relatoria, considerada o cargo mais estratégico dentro de uma CPMI, será ocupada pelo deputado alagoano Alfredo Gaspar (União Brasil).
Formada por 16 senadores e 16 deputados, além de suplentes, a CPMI terá 180 dias para investigar fraudes que, de acordo com a Polícia Federal, podem ter alcançado R$ 6,4 bilhões entre 2019 e 2024. O foco recai sobre descontos indevidos aplicados por associações em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Para justificar a escolha, Carlos Viana destacou que o relator precisava ser alguém com conhecimento jurídico e experiência política para evitar armadilhas ideológicas e manter a investigação em trilhos técnicos. Gaspar, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, encaixa-se nesse perfil.
Em sua primeira declaração como relator, o deputado foi firme:
“Fui designado relator da CPMI do INSS e seguirei firme nessa missão. Trabalharei em compasso com a verdade e a Constituição, buscando a responsabilização de quem, por ação ou omissão, praticou esse crime gigantesco. O povo brasileiro exige respostas sérias, e nós as daremos.”
A decisão reforça o espaço político de Gaspar no cenário nacional. Como relator, ele terá protagonismo nas articulações, acesso às informações mais sensíveis da apuração e a responsabilidade de conduzir os trabalhos rumo ao relatório final. Esse papel, a depender da condução e dos resultados obtidos, pode projetá-lo fortemente, elevando seu peso não apenas em Alagoas, mas também no Congresso.
A CPMI do INSS começa não apenas como um palco de apuração de fraudes bilionárias, mas também como um movimento de xadrez político que pode reposicionar lideranças e influenciar diretamente os rumos das eleições de 2026.