O Orçamento do Estado de Alagoas para 2026 não apenas cresce em números absolutos. Ele redesenha o tabuleiro político às vésperas da eleição. A previsão de R$ 281,2 milhões em emendas parlamentares impositivas, o maior volume desde a adoção do modelo no Legislativo estadual, consolida um novo patamar de poder orçamentário nas mãos dos deputados e altera, de forma objetiva, a correlação de forças para a disputa de 2026.
Em quatro anos, o volume de emendas mais que dobrou. Em 2022, eram R$ 109,1 milhões, menos de 1% de uma Lei Orçamentária de R$ 16,38 bilhões. Em 2023, o valor subiu para R$ 123,4 milhões. Em 2024, alcançou R$ 141,4 milhões. Já em 2025, o salto foi significativo: a dotação inicial de R$ 158,4 milhões foi ampliada para R$ 245,5 milhões. Para 2026, a previsão avança ainda mais, chegando a R$ 281,2 milhões, um crescimento grandioso.
Esse crescimento acompanha a expansão da própria receita estadual. O PLOA para 2026 estima uma arrecadação bruta de R$ 26,66 bilhões, 13,6% acima da previsão de 2025, que era de R$ 23,4 bilhões. Dentro desse contexto, as emendas passam a representar pouco mais de 1% do total, mas com impacto político muito maior do que o percentual sugere.
Na prática, o desenho garante a cada deputado estadual mais de R$ 10 milhões em emendas impositivas, considerando a atual composição da Assembleia Legislativa, com 27 parlamentares. Esse volume muda o jogo. Deputados que buscarão a reeleição entram na campanha com uma ferramenta concreta de construção de alianças, capilaridade territorial e presença institucional nos municípios. Prefeitos, lideranças locais e bases eleitorais passam a olhar para esses parlamentares não apenas como representantes políticos, mas como canais diretos de acesso a recursos.
Mais do que um debate técnico sobre números, o Orçamento de 2026 revela como a política alagoana se estrutura para o próximo ciclo. O aumento expressivo das emendas impositivas não é neutro. Ele fortalece quem já está no jogo, ampliando a distância entre mandatários e novos nomes. A disputa, ao que tudo indica, começa muito antes das urnas.