A pré-campanha já começou nos bastidores, e o movimento é claro: deputados federais intensificam a busca por prefeitos, vereadores e lideranças locais capazes de sustentar projetos de reeleição em um cenário cada vez mais competitivo. O jogo agora é de sobrevivência política.
O apoio municipal voltou a ser o ativo mais valioso. Prefeitos com máquina na mão, vereadores com base eleitoral ativa e lideranças regionais com capacidade de mobilização são peças-chave na engrenagem da reeleição. Nesse contexto, alianças deixaram de ser ideológicas há muito tempo e passaram a ser estritamente operacionais. Quem entrega estrutura, recebe atenção. Quem não entrega, fica pelo caminho. O clima é, sem exagero, de salve-se quem puder.
Mas o fator que mais pesa nessa equação é o controle dos recursos. Cada deputado federal dispõe hoje de cerca de R$ 40 milhões por ano em emendas impositivas. Ao fim do mandato, isso representa algo em torno de R$ 160 milhões irrigando bases eleitorais, fortalecendo prefeituras aliadas e garantindo presença constante nos municípios. É dinheiro que pavimenta alianças e cria dependência política, sobretudo em cidades com baixa capacidade de investimento próprio.
Além disso, há as emendas impositivas de bancada, que podem render entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões adicionais para indicações de cada parlamentar. Deputados com maior poder de articulação ainda acessam emendas de comissão e, em alguns casos, recursos vinculados ao orçamento do relator. O resultado é um ambiente estruturalmente hostil à renovação.
É nesse tabuleiro que se movimentam Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Daniel Barbosa, Delegado Fábio Costa, Isnaldo Bulhões, Luciano Amaral, Marx Beltrão, Paulão e Rafael Brito. Todos experientes, todos com bases em disputa, todos conscientes de que não há espaço para erro. O problema é matemático. As vagas são limitadas, e a força acumulada por cada mandato torna a concorrência interna ainda mais dura.
A pergunta que começa a circular nos bastidores é direta e incômoda: quem ficará de fora em 2026?