O apoio do prefeito de Paripueira, Abraão Moura, e da deputada estadual Cibele Moura à pré-candidatura de Arthur Lira (PP) ao Senado em 2026 vai além da aritmética eleitoral. O que mais chama a atenção é o contexto político da aliança: pai e filha foram eleitos pelo MDB, partido comandado em Alagoas por Renan Calheiros, principal adversário de Lira na disputa pela vaga ao Senado.
Abraão Moura, em seu quarto mandato como prefeito, é uma liderança influente do Litoral Norte. Historicamente vinculado ao MDB, ainda assim deve apoiar Arthur Lira, num gesto que expõe fissuras na unidade partidária e antecipa movimentos pragmáticos com foco em 2026.
Nos bastidores, o apoio é atribuído à relação institucional mantida com Lira, marcada por articulações em Brasília e pela liberação de recursos federais. A lógica é conhecida: menos discurso ideológico, mais resultado concreto para a gestão local. Para Lira, trata-se de uma adesão estratégica em um território onde o MDB sempre teve força.
A presença de Cibele Moura reforça o peso político da decisão. Deputada estadual, também eleita pelo MDB, ela atua com forte discurso municipalista e diálogo com prefeitos. Ao se alinhar a Arthur Lira, Cibele ajuda a consolidar uma ponte improvável entre grupos que, no plano estadual, estão em campos opostos.
O movimento expõe uma contradição relevante no cenário pré-eleitoral: enquanto Renan Calheiros se coloca como antagonista direto de Arthur Lira na corrida pelo Senado, quadros eleitos sob sua liderança já começam a fazer escolhas próprias. Na prática, a disputa de 2026 começa a testar a capacidade de ambos os grupos de manter coesão.
Com esse apoio, Arthur Lira segue ampliando alianças regionais e mostrando força de articulação mesmo fora do seu campo político tradicional. Em uma eleição que tende a ser marcada menos por discursos e mais por base, estrutura e alianças, o gesto de Abraão e Cibele Moura é um sinal claro de que o jogo já começou.