As presenças de JHC e Arthur Lira ao lado do presidente Lula, em Maceió, não foram um gesto protocolar nem um acaso de agenda. Foi um recado político claro, direto e difícil de ignorar. Em um estado historicamente marcado por disputas duras entre lulismo e bolsonarismo, a cena expõe o enfraquecimento do discurso de oposição radical e impõe um novo arranjo no tabuleiro de 2026.
JHC, presidente estadual do PL em Alagoas, partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi além da cordialidade institucional. Ao falar em “pacto social, pacto por Maceió, por Alagoas e pelo povo do Brasil”, o prefeito escolheu uma linguagem que rompe com a retórica de confronto e se aproxima, sem rodeios, do campo político ocupado por Lula. Em ano pré-eleitoral, palavras importam.
Mais simbólica ainda foi a presença de Arthur Lira, integrante da Federação União Progressista, que deixou a base do governo Lula e hoje se posiciona formalmente na oposição. Ainda assim, Lira participou e exaltou a atuação de Lula: “Ver mais de 1.700 famílias recebendo um lar é a certeza de que todo esforço vale a pena”. Não é um detalhe menor. Lira sempre foi termômetro de poder e dificilmente se move sem cálculo.
O que se viu foi boa parte dos nomes mais pesados do bolsonarismo alagoano ao lado de Lula, em elogios, discursos e gestos de apoio institucional. Para uma base que sempre apostou na polarização como ativo eleitoral, o impacto é duro. A narrativa do “nós contra eles” perde força quando os próprios líderes atravessam a linha e normalizam o diálogo.
Esses movimentos ganham ainda mais peso quando se observa o cenário eleitoral. JHC desponta como principal nome na disputa pelo governo de Alagoas, contra o ministro dos Transportes, Renan Filho. Ao mesmo tempo, Lula entra no radar de 2026 com um ambiente mais favorável do que nas eleições passadas no estado.
Em política, símbolos antecedem decisões. E os símbolos recentes apontam para um cenário propício para Lula ampliar espaço, recompor alianças e trabalhar com chances reais de se tornar o presidente mais votado de Alagoas em 2026.
O bolsonarismo, por aqui, sai desse episódio menor, mais fragmentado e sem o monopólio do discurso oposicionista. E isso, a meses da eleição, é um golpe que não pode ser subestimado.