O Ministério Público de Alagoas abriu um inquérito civil que joga luz sobre um ponto sensível da gestão de Luciano Barbosa: o atendimento aos alunos que dependem de apoio especializado nas escolas de Arapiraca. O documento revela um conjunto de falhas estruturais que a prefeitura vinha evitando encarar e que agora passam a ser alvo de investigação formal.
O ponto que mais chama atenção é a contratação temporária de profissionais de apoio escolar sem a qualificação adequada. Esses servidores lidam diretamente com crianças e adolescentes com deficiência, um público que exige preparo técnico e acompanhamento contínuo. Quando o MP afirma que esses profissionais vêm sendo colocados em sala sem capacitação, sugere um problema mais profundo: a gestão optou por improviso num serviço que deveria ser prioridade.
A situação se agrava quando o MP observa que o concurso público recentemente lançado pelo município simplesmente ignorou a existência desse cargo. Em vez de organizar a carreira, garantir estabilidade e exigir formação específica, a prefeitura manteve uma estrutura paralela baseada em contratos precários. Essa escolha administrativa não ocorre por acaso; ela costuma indicar falta de planejamento e descompromisso com a política de inclusão.
O Ministério Público deixa claro que a ausência de profissionais qualificados coloca em risco o direito à educação inclusiva, garantido pela Constituição e por leis específicas. A investigação mira justamente esse ponto: a possibilidade de que a gestão municipal esteja violando direitos fundamentais ao não assegurar um atendimento adequado dentro da rede.
O pacote de exigências encaminhado à Secretaria de Educação mostra a gravidade do caso. O MP quer explicações técnicas e jurídicas para a exclusão do cargo no concurso, detalhes sobre quem está atuando hoje, como foi selecionado e qual formação possui.
Se as respostas não forem consistentes, o inquérito pode evoluir para medidas mais duras. E, num momento em que a gestão tenta sustentar a imagem de eficiência administrativa, a investigação atinge um ponto vulnerável. O que está em jogo não é só um problema burocrático, mas a responsabilidade da prefeitura em garantir dignidade e inclusão para quem mais precisa.