A política em Olivença ganhou um novo capítulo com o parecer do Ministério Público Eleitoral, que pede a cassação do mandato do prefeito Josimar Dionísio, o Jó (MDB), e de seu vice, Mauro Fernandes da Silva. O documento foi assinado pelo promotor eleitoral Thiago Riff Narciso, que atua na comarca de Santana do Ipanema, e aponta indícios de irregularidades cometidas durante a campanha de 2024.
Segundo o MPE, Jó teria se reunido com moradores de uma localidade da zona rural do município em pleno período eleitoral, quando disputava a reeleição, para oferecer a conclusão de uma ligação de água em troca de votos. A acusação central é de captação ilícita de sufrágio, prática vedada pela legislação eleitoral por comprometer a lisura do processo democrático.
Áudios gravados por pessoas presentes ao encontro reforçam a denúncia. Neles, o então candidato afirma que, caso recebesse o apoio eleitoral dos moradores, a obra de fornecimento de água seria concluída até a véspera da eleição, marcada para 5 de outubro de 2024. O material foi anexado ao processo e considerado relevante pelo Ministério Público.
Além dos áudios, o parecer menciona provas materiais. Fotografias e uma nota fiscal demonstram que, no próprio dia da reunião, foi enviado ao povoado um caminhão transportando cerca de 750 metros de tubos de PVC, que seriam utilizados na ligação de água prometida. Para o MPE, o gesto teve o objetivo claro de dar credibilidade imediata à promessa feita aos eleitores.
A defesa do prefeito tentou desqualificar as provas apresentadas, alegando possível edição do áudio e sustentando que a denúncia teria sido protocolada fora do prazo legal. Ambos os argumentos foram rejeitados pelo promotor. No entendimento do Ministério Público, não há indícios de adulteração do material, e a ação foi ajuizada dentro do prazo previsto em lei.
No trecho final do parecer, o promotor é direto ao afirmar que as provas são “robustas” e convergem para a caracterização da captação ilícita de votos, citando de forma expressa o conteúdo do áudio, a nota fiscal de compra dos canos e os depoimentos colhidos ao longo do processo. Com base nisso, o MPE requer que a ação seja julgada totalmente procedente, com a consequente cassação dos mandatos.
Agora, a decisão está nas mãos do juiz eleitoral da comarca de Santana do Ipanema. Caso o magistrado acompanhe o parecer do Ministério Público, Olivença poderá enfrentar um novo cenário político, com a perda do mandato do atual prefeito e a necessidade de realização de uma nova eleição, conforme prevê a legislação eleitoral.