Foi protocolado no Senado o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a sexualização de crianças e adolescentes na internet. O requerimento, apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pelo senador Jaime Bagattoli (PL-RO), reuniu 70 assinaturas, número expressivo que revela a sensibilidade do tema e a disposição do Parlamento em enfrentar um problema que não conhece fronteiras ideológicas.
Damares, que preside a Comissão de Direitos Humanos (CDH), comemorou o “feito histórico” e afirmou que o Senado “está fazendo seu dever de casa”. Bagattoli foi ainda mais enfático, alertando que influenciadores digitais estariam induzindo crianças à prostituição e defendendo que o caso exige “atitudes drásticas”.
A CPI, caso instalada, terá 120 dias de funcionamento e será composta por oito membros e cinco suplentes. O foco das investigações inclui desde o papel de influenciadores, como o polêmico Hytalo Santos, até a eficácia das políticas públicas e a resposta das autoridades às denúncias de exploração infantil online.
Paralelamente, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) levou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) um requerimento para audiência pública com representantes das principais plataformas digitais. O objetivo é cobrar explicações sobre a disseminação de conteúdos que promovem a adultização de menores, denunciada recentemente pelo youtuber Felca.
Eliziane quer também a presença de órgãos como o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Defensoria Pública da União para debater a responsabilidade das big techs e o papel de seus algoritmos na propagação desse tipo de material.
Não se trata apenas de mais uma CPI. É uma oportunidade de romper o ciclo de omissão que há anos permite a banalização da exploração sexual infantil no ambiente digital. A gravidade das denúncias exige não apenas investigações rigorosas, mas também propostas concretas de regulação, punição e prevenção. Proteger a infância não pode ser apenas pauta de ocasião; precisa ser compromisso permanente.